Unirversos memórias · caderno de bordo nº 1
日本での一日
Um dia inteiro
no Japão —
e tudo o que ninguém
te conta sobre ele
Este mini guia acompanha você da véspera da viagem até o último trem da noite. Nada de listas infinitas: só o que evita perrengue de verdade — contado por quem viveu dez anos do lado de dentro.
VÉSPERA · MALA ABERTA
Antes de embarcar
A viagem começa em casa. Três decisões tomadas antes do voo — remédios, seguro e internet — evitam noventa por cento das dores de cabeça do outro lado.
Remédios comuns podem ser ilegais lá alfândega
Alguns descongestionantes muito comuns no Brasil e em outros países (com pseudoefedrina, como certas versões de Sudafed e Vicks Inhaler) são proibidos no Japão mesmo com receita médica — e podem gerar apreensão na alfândega. Antes de colocar qualquer remédio na mala, verifique no site do Ministério da Saúde japonês se ele é permitido (procure por Yakkan Shoumei).
Seguro viagem não é opcional
Hospitais japoneses podem sair muito caros para estrangeiros sem cobertura — uma consulta simples de pronto-socorro chega a custar centenas de dólares. Viaje sempre com seguro de saúde internacional.
Internet: resolva antes do embarque
eSIM é o mais prático hoje: você compra e ativa antes mesmo de decolar, sem retirar nada no aeroporto. Pocket wifi vale pra grupos (todos conectam no mesmo aparelho). Chip físico exige celular desbloqueado.
Viaje leve — o trem não perdoa mala grande
Trens urbanos e de longa distância têm pouquíssimo espaço pra bagagem. E atenção: no Shinkansen das linhas Tokaido, Sanyo e Kyushu, malas com soma de altura, largura e profundidade acima de 160 cm exigem reserva de assento na última fileira — sem isso, multa de ¥1.000.
07:00 · PRIMEIRO CAFÉ
Bom dia, dinheiro
O Japão é futurista, mas o bolso dele é old school. A primeira lição do dia: ienes em espécie na carteira, sempre.
O país ainda é bem "cash-based"
Fora das grandes cidades, muitos restaurantes pequenos, templos e lojas locais só aceitam dinheiro. Não dá pra contar com cartão em todo lugar — nem nos lugares mais charmosos, justamente.
Onde sacar sem drama
Nem todo caixa eletrônico aceita cartão estrangeiro. Os confiáveis são os do 7-Eleven (Seven Bank) e dos Correios japoneses (Japan Post Bank) — presentes em praticamente qualquer bairro.
Não compre o Suica errado existem vários
O cartão que abre o Japão inteiro — trens, ônibus, conveniências, máquinas de venda. Mas "Suica" não é uma coisa só, e escolher o tipo errado pode te fazer perder dinheiro:
- Suica comum (verde) — cartão físico com depósito reembolsável de ¥500. Ao devolver no balcão da JR East, você recebe saldo + depósito de volta, menos taxa de ¥220.
- Welcome Suica — versão de turista, sem depósito, vendida em aeroportos. Vale só 28 dias a partir do primeiro uso e o saldo restante não é reembolsável — não carregue mais do que vai gastar.
- Mobile Suica (Apple/Google Wallet) — recarrega pelo celular e nunca se perde. Mas exige chip FeliCa: a maioria dos Android vendidos no Brasil não tem — só funciona garantido em iPhone.
- E a regra de ouro: encoste o cartão na catraca ao entrar E ao sair. Esquecer a saída pode travar o cartão.
10:00 · EXPLORANDO
As regras invisíveis da rua
Ninguém vai te dar bronca — mas todo mundo percebe. Quatro costumes que separam o turista apressado do viajante presente.
Lixeiras públicas quase não existem
O país é impecavelmente limpo — e mesmo assim, quase não há lixeiras na rua. O normal é levar seu lixo de volta pro hotel ou esperar uma lixeira de conveniência ou estação. Um saquinho vazio na mochila resolve o dia.
Não coma andando
Fora dos festivais de rua, comer enquanto anda é visto como falta de educação. Comprou algo numa banca ou konbini? Coma ali mesmo, parado, e siga em frente.
Escada rolante: o lado muda de cidade
Em Tóquio, fica-se à esquerda e anda-se pela direita. Em Osaka e no Kansai, é o oposto. Confunde até japonês de outra região — observe a maioria antes de se posicionar.
Onde tirar os sapatos
- Casas particulares, sempre
- Muitos templos e alguns santuários
- Ryokan (pousadas tradicionais)
- Vestiários de onsen
- Restaurantes tradicionais com tatame
13:00 · HORA DO ALMOÇO
À mesa, sem sustos
Comer bem no Japão é fácil. Comer sabendo o que está comendo é o que este capítulo garante.
Cuidado: wasabi escondido
Muitos rolinhos de sushi, onigiri de conveniência e até alguns sanduíches vêm com uma camada fina de wasabi por dentro — sem nenhum aviso na embalagem. Se você não gosta ou tem sensibilidade, pergunte antes de morder de uma vez.
Os 8 alergênicos de declaração obrigatória
Por lei, todo alimento embalado no Japão precisa declarar estes oito. Aprenda a reconhecer os kanji:
Frases que salvam o almoço
16:00 · PAUSA QUENTE
A hora das águas
Fim de tarde é hora de fazer como os locais: entrar na água quente e deixar o dia dissolver.
Onsen ou sentou? São coisas diferentes
Onsen (温泉) é fonte termal de verdade — água mineral do subsolo vulcânico, típica de cidades termais como Hakone, Kusatsu e Beppu, com preço e ambiente mais elaborados. Sentou (銭湯) é o banho público de bairro, com água aquecida comum, muito mais barato e simples — historicamente usado por quem não tinha banheira em casa.
A etiqueta é a mesma nos dois: lave-se por completo no chuveiro antes de entrar na água (a banheira é pra relaxar, não pra se lavar), e a toalha nunca entra na água — fica na cabeça ou na beira. Tatuagens ainda são proibidas em alguns onsens tradicionais; se for o seu caso, procure locais "tattoo friendly".
Quanto custa mergulhar
Achado escondido: Kudochi Sauna, Tóquio dica de residente
Saunas e onsen totalmente privativos em Roppongi, Akasaka e Ginza — cada sala tem sauna própria, banheira fria e uma banheira de onsen com água trazida de fontes termais reais. Aberto 24h, entrada por QR code, e por ser privativo não tem as restrições do onsen público: aceita tatuagem e grupos mistos (casais, amigos, família). Reserve pelo site oficial com pelo menos um dia de antecedência — vaga de última hora é raro.
A QUALQUER HORA
Se algo sair do controle
Provavelmente você não vai precisar deste capítulo. Mas ele existe pra que, se precisar, você já saiba de cor.
Só para polícia. Repare na leitura irregular: usa tō (a contagem japonesa antiga) em vez de juu.
Atende os dois casos — a telefonista pergunta "kaji desu ka, kyuukyuu desu ka?" (é incêndio ou emergência médica?).
Depois de um tremor
Siga a sinalização até o ponto de evacuação mais próximo (hinanjo) — geralmente uma escola ou parque. Tenha o app Safety Tips instalado pra receber alertas em português e inglês. E lembre: elevadores param automaticamente após tremores fortes — use as escadas.
Frases de emergência
23:30 · A NOITE ACABA CEDO
O último trem
A cidade brilha a noite toda — mas os trilhos, não. O shuuden, o último trem, é o relógio secreto de qualquer noite no Japão.
Não perca o shuuden
Muitas linhas param por volta da meia-noite e só voltam de manhã cedo. Perder o último trem significa, na prática, táxi caro ou horas de espera numa loja de conveniência ou num karaokê 24h até o primeiro trem do dia. Cheque o horário da sua linha antes de pedir a última rodada.
Coin lockers: a mochila descansa
- Pequeno — em quase toda estação, ¥400–500/dia
- Médio — nas estações maiores, ¥500–700/dia
- Grande — poucos por estação, ¥600–1.000/dia
- Muitos só aceitam moedas de ¥100 (guarde algumas); cada vez mais aceitam cartão IC
- O preço é por dia corrido (meia-noite a meia-noite): pernoitar conta como dois dias
Takuhaibin: a mala viaja sozinha
O segredo mais bem guardado dos viajantes leves: empresas como Yamato e Sagawa entregam sua mala entre aeroporto, hotel e até entre cidades, geralmente no dia seguinte, por cerca de ¥2.000–2.500 por mala. Você passeia livre; a mala chega antes de você.
📖 Este guia é o começo
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Amuleto de bolso
As palavras que resolvem quase tudo. Se decorar só uma, que seja sumimasen — ela abre qualquer porta.
E o seu dia, como foi? Escreva em uma ou duas frases — em qualquer língua.